Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Relato de retomada da Perene Consciência Integrativa - David Brainerd

Certa manhã, quando eu caminhava por um lugar solitário como de costume, vi, de repente, que todos os meus planos e projetos no sentido de efetuar ou conseguir minha libertação e salvação eram totalmente inúteis; fui obrigado a parar, pois me senti perdido. Vi que me seria para sempre impossível fazer o que quer que fosse no intuito de me ajudar ou libertar, que eu já fizera todas as súplicas que poderia ter feito por toda a eternidade; e que todos os meu rogos tinham sido vãos, pois fora levado a rezar pelo interesse pessoal e nunca movido por algum respeito à glória de Deus. Vi que não havia nenhuma conexão necessária entre minhas preces e a concessão da misericórdia divina: que elas não impunham a Deus a menor obrigação de conceder-me a sua graça; e que não havia mais virtude nem excelência nelas do que haveria se eu ficasse chapinhando na água. Vi que eu andara amontoando minhas devoções diante de Deus, jejuando, orando, etc., fingindo e, com efeito, pensando realmente, às vezes, que estava pondo a mira na glória de Deus; quando, na verdade, eu nunca visara realmente a ela, se não apenas à minha própria felicidade. Vi que nunca fizera nada por Deus, que não me assistia o direito de reclamar dele coisa alguma, a não ser a perdição, mercê da minha hipocrisia e do meu escárnio. Quando vi evidentemente que não tivera consideração por coisa alguma que não fosse o meu próprio interesse, minhas obrigações me pareceram uma vil zombaria e um curso contínuo de mentiras, pois o conjunto não passava de um culto a mim mesmo e um horroroso insulto a Deus. 

Lembro-me de que continuei nesse estado de espírito desde a manhã de sexta-feira até a noite do sábado seguinte (12 de julho de 1789), quando voltei a caminhar no mesmo local solitário. Ali, num estado de lutuosa melancolia, tentei rezar; mas não encontrei ânimo para entregar-me a essa ou a qualquer outra obrigação; meus interesses, exercícios e afeições religiosas anteriores haviam desaparecido. Cuidei que o Espírito de Deus me deixara de todo; apesar disso, ainda não estava angustiado; estava, porém, desolado, como se não houvesse nada no céu nem na terra que pudesse fazer-me feliz. Tendo assim tentado rezar — embora, como eu supunha, de modo muito estúpido e sem sentido — por quase meia hora; nisso, enquanto eu caminhava pelo meio de denso bosque de árvores, uma glória indizível pareceu abrir-se à apreensão da minha alma. Não me refiro a nenhum brilho externo, nem a percepção alguma de um corpo de luz, mas a uma nova apreensão interior, ou visão, que eu tivera de Deus, qual nunca a tivera até então, nem de coisa alguma que tivesse a menor semelhança com ela. Eu não tinha nenhuma apreensão particular de determinada pessoa da Trindade, nem do Pai, nem do Filho, nem do Espírito Santo; mas parecia ser a glória Divina. Minha alma regozijou-se com uma alegria indizível ao ver um tal Deus, um tal glorioso Ser Divino; e eu estava interiormente agradado e satisfeito de que ele fosse Deus acima de todos e para todo o sempre. Minha alma estava tão cativada e deliciada pela excelência de Deus que sempre me senti absorvido nele; tanto que nem sequer pensei na minha própria salvação, e escassamente refleti que existia uma criatura como eu. Continuei nesse estado de alegria, paz e assombro interiores até quase o escurecer, sem nenhum abatimento sensível; e, então, principiei a ponderar a examinar o que vira; e senti-me suavemente composto em minha mente durante toda a noite que se seguiu. Senti-me num mundo novo, e tudo ao meu redor se apresentava com um aspecto diferente daquele com que costumava apresentar-se. Nessa ocasião, o caminho da salvação abriu-se para mim com tão infinita sabedoria, propriedade e excelência que pasmei de haver podido, alguma vez, pensar em qualquer outro caminho de salvação; maravilhei-me de não haver largado meus próprios planos e enveredado antes por esse lindo, bendito e excelente caminho. Se eu pudesse salvar-me por minhas próprias orações ou por qualquer outro modo que engendrara anteriormente, toda a minha alma o teria recusado agora. Admirava-me de que o mundo inteiro não visse e adotasse este caminho de salvação, por meio exclusivo da justiça de Cristo."

David Brained em, Edward's and Dwight's Life  
Extraído do livro de Willian James - As Variedades das Experiências Religiosas

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey